Memória (Paradigmas21)


Evangélico e o nirvana cósmico





Liberdade, vida e propriedade: Três vídeos do Youtube e a lição para superar a crise


Encerrado 2012, passados 3 anos da crise de 2008, temos algumas lições preciosas de aprendizado sobre economia e sociedade livre, apesar das crescentes tentativas em contrario dos formadores globais de opinião publica.  Como estamos apenas no inicio de uma crise, vale a pena rever alguns dados elementares e princípios basilares de economia e liberdade. Para simplificar, imaginemos o quão favorável nos foi o livre mercado e a livre  iniciativa, mesmo em meio a tanta intromissão estatal. Em 2008 o preço dos alimentos foram os mais baixos da história. Os computadores, a internet e os celulares invadiram praticamente todas as famílias, mesmo dos mais pobres.  Mesmo nesse período tão favorável políticos e economistas (amigos do poder) não deram trégua, solicitando intervenções quando na verdade foi o mercado que trouxe as autenticas soluções, desde a criação de tecnológica até os sofisticados e maravilhosamente funcionais sistemas de distribuição, atendimento ao cliente, superação de adversidades agroindustriais, etc., etc.
Ocorre que as soluções vieram no devido tempo, não caem magicamente do céu ou do Estado “provedor”. Condições adversas não visíveis tiveram que ser superadas, milhares de empreendedores arriscaram suas soluções, dos sinais que puderam captar, alguns faliram, outros venceram, estes por uma feliz conjugação de habilidade, competência e sorte, e ainda podem ser superadas porque não existe equilíbrio estático mas as condições mudam a todo instante. Crises sempre houveram, esta pode ser apenas uma mais forte (se as intervenções monetárias não precipitarem o caos financeiro...). Importa que não se perca a origem do problema, sob o risco de se perder a própria fonte e motivação das soluções.

3 pequenos vídeos na internet são suficientes para mostrar isso. Aqui vai um pequeno roteiro para compreendê-los em nosso contexto (superação da crise sem perda de riqueza e liberdade):

1. entendendo a participação de milhares, multiculturais, para produção de um simples lápis:
Milton Friedman demonstra como os componentes e funcionalidade de um lápis depende da colaboração pacifica e ordeira de trabalhadores e empreendedores de diversas nações.



2. entendendo a importância da espontânea colaboração vs imposição estatal na ajuda aos mais pobres.
Visionários populistas costumam usar momentos de crise para propor suas soluções mirabolantes. Paul Krugmam é um desses arautos. Veja porque, nesse singela e bem humorada ilustração da famosa falácia da janela partida, de autoria de Frédéric Bestiat.  
http://mises.org.pt/posts/multimedia/a-falacia-da-janela-partida/


3. entendendo o papel crucial da liberdade para defesa dos intromissores de plantão
A filosofia da liberdade assenta sobre o princípio que cada pessoa detém três direitos fundamentais e invioláveis:
      i)                    O direito à sua propriedade - que corresponde ao seu passado (fruto da sua vida e da sua liberdade)

ii)                   O direito à sua liberdade - que corresponde ao seu presente

iii)                 O direito à vida e à sua integridade física – a que corresponde o seu futuro

Esta filosofia baseia-se na então responsabilidade de cada pessoa em gerir como achar melhor a sua propriedade, liberdade e vida, sem nunca atentar contra a propriedade, liberdade e vida de qualquer outro indivíduo.

---- xxx ----

O marco civil da internet certamente é  uma dessas claras externalizações da maldição do desejo de poder a todo custo de um Partido contra os Trabalhadores. Um marco regulatório caracteriza-se por delinear as leis atuais e também as futuras em torno de uma tema dado por relevante pelo legislador. O que faz o PT? Por sua iniciativa lança PL na Câmara com todo um discurso bonitinho de assegurar a confidencialidade dos internautas, etc., para, no fim de alguns de seus principais parágrafos, acrescentar o detalhe que mais lhe interessa   delegar a leis posteriores exatamente o contrário: formas de regular, censurar e punir conforme o conteúdo das publicações. Abre a possibilidade de censura estatal, desde um jornal eletrônico a um simples blog! 

Além da clara inconstitucionalidade do projeto de lei, O PT teve a audácia de querer expor qualquer cidadão livre à censura feita pelo governo ou por qualquer magistrado baseado numa avaliação totalmente subjetiva dos conteúdos ali expostos, conforme o alerta do Padre Lodi, em http://www.providaanapolis.org.br/marcociv.htm.

Assim, se um ativista pró-vida  uma obrigação que todo católico deveria assumir mas que poucos se aventuram, e o fazem de forma isolada e pouco ordenada, publica um manifesto contra a campanha internacionalmente coordenada e milionária do abortismo, um magistrado regional pode entender que o cidadão esta acusando alguém levianamente de homicídio quando, no seu "douto" entendimento, se trataria de uma "interrupção indesejada da gravidez", e ainda pode alegar que esta seguindo a orientação internacional da ONU ou da UNESCO. 

Fica clara e malícia das intensões dos petistas quando se sabe da enorme repercussão e penetração das informações desse maravilhoso instrumento de divulgação que tem sido a internet, em sites cada vez mais caprichados e ricamente alimentados, como os do padre Paulo Ricardo, recentemente renovado, contendo videos bem articulados e antenados com os acontecimentos atuais; ou de cursos on line, do mais alto gabarito, como o Seminário de Filosofia, de Olavo de Carvalho, assistido por quase 3.000 alunos. Torna-se pervertida tais intenções, quando constatamos a articulação descarada de um José Guimarães, do PT-CE, no Estado de São Paulo. O parlamentar é irmão  do Sr. Jose Jenoíno, aquele mesmo, o condenado do mensalão (veja http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/68368-pt-discutira-regulacao-da-midia-diz-irmao-de-genoino.shtml).

O poderio de blogs, site institucionais, cursos, videos e palestras on line é maior do que se imagina, e deve ser um dos temas de maior preocupação da inteligentia do PT, cujo projeto marcuseano e gramscista está sendo desmascarado em todos seus perversos detalhes. Entre outros,  seu caráter anti-cristão e anti-libertário, sistematicamente omitido pela grande mídia brasileira.

Poderíamos listar uma enormidade de dados, fontes e matérias, escritas ou em multimidia, que esclarecem os projetos de manipulação e instrumentalização do poder adotado por essa gente, em franco coluio com poderosas redes de comunicação mundial. Basta começar pelos bons sites e seguir as centenas de links de hipermídia da internet para rapidamente se tomar pé do tamanho da encrenca. Sugiro um começo exemplar, por exemplo, pela leitura de todas as reportagens do Mídia Sem Mascara, por uma semana que seja...

Mas, em vez de afogar-mo-nos em tanta informação daí derivada, trago a tona, para os verdadeiros intelectuais e pensadores dessa geração virtual, em sua responsabilidade de mobilizar a opinião publica nesse grave momento, a necessidade de uma formação mais profunda e fundamentada, como a das obras clássicas da literatura universal. Ouvi essa dica esta semana (ouço-as no meu carro, de um mp3 gravado em pendrive...) oriundo do podcast do Instituto von Mises, da parte do historiador e mestre em direito Alex Catharino (http://www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=128). O entrevistado lembra aos ouvintes que nada substitui a leitura solitária de clássicos "antigos" de filosofia, economia e teologia, que hoje podem ser fonte de saber para autentica interpretação de clássicos mais recentes com o enorme cabedal de conhecimento de disciplinas novas como praxeologia, sociologia do conhecimento e ética pessoal (ou ecologia humana). 

Enquanto 50 anos de  desconstrutivismo, desde a Escola de Frankfurt, levaram a ação de brucutus do intervencionismo e da censura deslavada petista, precisamos de ao menos 10 ou 20 para reconstruir os valores de liberdade, vida e propriedade, incluso a autonomia intelectual e religiosa. A internet  pode acelerar isso um pouco, apesar do petismo rasteiro.

  ------------------------------------------------



O novo presidente da Embrapa, o pesquisador Maurício Antônio Lopes, em entrevista promete (out/2012) consolidar inteligência estratégica e revela que deve assumir novos alinhamentos em vista de mudanças  frente a "temas importantes relacionados à economia verde, à sustentabilidade, à implementação do Código Florestal, dentre muitos outros", visando "fortalecer os mecanismos de cooperação internacional que temos e dinamizar ainda mais a nossa relação com organismos internacionais, que complementam o nosso esforço e nos ajudam a trazer inovações importantes para a agricultura brasileira.” Entre outras agendas, consta a prioridade no tratamento das pressões internacionais quanto às questões ambientais que obviamente são muito sensíveis no exterior em praticamente tudo que se refere ao último bastião produtivo do planteta, como o Brasil. Mas até que ponto precisamos aderir a todas as demandas internacionais sabendo do poder de convencimento da midia global? O tema mudança climática em si já é um chavão obrigatório nos discursos ambientalistas, enquanto estes sequer saberiam delimitar o escopo da influência do clima no mundo e na verdade nunca terão como saber - senão por pesquisas encomendadas e direcionadas, nada cientificas. A relação de causa, antrópica, e efetito, por aquecimento crescente e "ireversível", já mostrou ares de pura picaretagem. Até sir James Lovelock, autor de Gaia, está saindo fora. Nem a causa de mudança global pode ser atribuida ao homem (apenas em ações locais) nem o efeito pode ser previsto em minima margem de confiança a médio e longo prazos.

Na entrevista o presidente atesta que a Empresa, juntamente com outras instituições parceiras, já tem "um dos maiores portfólios de pesquisa no mundo para redução dos impactos das mudanças climáticas na agricultura". E pelo jeito vai continuar sendo. Uma pena, no ambiente tão competitivo, cada investimento aplicado é precioso como potencial de conversão em valores efetivos aos empreendimentos - se possivel até aqueles medidos em valor aos acionistas, mesmo quanto a valores ambientais, conforme guru da competividade Peter Senge. Existe uma enorme polemica entre otimistas e pessimistas quanto ao papel do crescimento per capita global no meio ambiente. Enquanto academicistas discutem, o mundo anda em compassos muito a frente e soluções surgem de todos os lados, da nanotecnologia aos inoculantes, estes responsáveis pela economia de U$ 5 bi ao ano, graças à tecnologia inovadora justamente provinda da Embrapa. Exemplo magnífico ofertado ao mundo pela inédita aliança entre contundente competividade da soja e um parâmetro de sustentabilidade real, perfeitamente mensurável.

Basta pensar com sensatez: desde quando clima não muda? além da nervosa alteração mensal, semanal e diária, temos ciclos maiores e ciclo dentro  ciclos, como do sol (aquecimento e resfriamento em ciclos de 30 anos). Tivemos eras inteiras de grandes aquecimentos, com na alta Idade Média, em plena Europa, ou em mini eras glaciais (entre 100 e 200 mil anos). O que representa modelos teóricos sobre alterações de 0,2 ou 0,3 % de CO2, perto das demais forças internas e externas ao ecossistema global, já constatadas a posterirori pelos registros de passado geológicos?

Inteligência de pesquisa sobre inovação teconológica inclui visão de mundo em cenários diversos, com estratégias próprias de direcionamento dos esforços sobre o que já se tem e do que ainda sequer imaginamos. Um diagnóstico sobre tecnologia e sustentabilidade, publicado na revista Natura (maio de 1997), revela um potencial econômico pelo uso de microorganismo (valor de capital natural) que ultrapassa nossa imaginação criativa, se pudessemos medir tudo em valores monetários, incluindo aí serviços agregados ao uso "inteligente" dos ecosistema, chagariamos à astronômica cifra de U$ 16 trilhões anuais, metade do atual PIB de todo planta! E o Brasil saiu na frente nesse campo, com o uso de inoculantes em leguminosas, sem contar o pionerismo no zoneamento agroclimático.

Diante desse quadro, retirada as máscaras dos interesses obtusos de megainvestidores como o húngaro-americano, Georje Soros, amissíssimo de fundações, clubes e agremiações obscuras multimilionárias - pró controle social global, dá para o Brasil perder tempo e recursos preciosos com projeções fantasmagóricas?


-------------------------------------------



Assim como Obama, na política, o economista Paul Kugman, um dos mais presentes na grande midia americana, parece buscar sua consolidação como popstar global, dizendo frases de efeito:

“We must eventually adopt austerity.”

diz, parafraseando, levianamente, Santo Agostinho: “Give me austerity, but not yet.”

Agora, parafraseando Jesus Cristo em sua provocação: qual o pai que, ante o pedido de um filho, em vez de pão, dar-lhe-há uma pedra?, parece que os economistas do mainstream preferem optar pelas duas coisas simultaneamente. Se muita inovação tecnologica e organizacional ainda pode ser legada às proximas gerações, certamente muito embrólio virá junto dessa panificadora estrambótica imaginada pelos keynesianos modernos. Ao fecherem os olhos para a emissão de moeda podre dos poderosos bancos centrais do planeta, os amantes dos estatistas, tranversando-se de amantes do povo, insistem em adiar os ajustes que, no fundo, sabem muito bem serem absolutamente inadiáveis.

Consiguiram nossos filhos, em tempo, ainda separar o joio podre do "capital" gerado pelos monetaristas planificadores, para trabalhar o trigo virtuoso dos enpreendedores que efetivamente buscam converter capital em bens e serviços úteis, e assumem seus riscos?

http://www.theamericanconservative.com/articles/austeritys-prophets/



-------------------------------------------




Perfil de conflito oriente-ocidente mascara violência de política e cultura desumana

Vladimir Putin é bem desses políticos que usam do ataque, seja qual for, legítimo ou não, para desviar a atenção dos seus críticos quando sabe que o erro está mesmo na raiz de sua conduta cruel e desumana. Após uma tumultuada eleição, contestada em toda parte pelos cidadãos russos – cujas manifestações são reprimidas sutil e eficazmente em todos os locais em que se realizam (Putim conseguiu a relação 1 para 1: para cada manifestante arrumou um agente policial e da maldita ex-KGB, presente e vigilante, num total de 50.000 capangas!), e a contestação legítima feita pelos EUA, em vez de demonstrar a tão esperada lisura em um já cambaleante processo de “democratização” da Rússia, Putin partiu esta semana (noticias de 15.12.2011) para o ataque. Acusou o governo americano, daquela nação que lhes deveria servir de exemplo por ser a maior e mais duradoura democracia do planeta, de ter apoiado o assassinato de um ditador, o malfadado tirano líbio. Antes de dar isso por mais uma farpa pontual entre poderosos, vale lembrar que por traz da peleja existe uma verdadeira guerra cultural, instigada ao extremo por forças políticas que perduram no poder por mais de 80 anos. Tudo com a cumplicidade de ex-pelegos do comunismo, no sentido de contrapor radicalmente ocidente e oriente. Apesar dos flagrantes interesses da classe burocrática estatal, a fundamentação teórica ainda é capitaneada por epígonos da intelectualidade marxista como o Sr Alexandre Duguin (vejam debate Olavo de Carvalho versus Duguin na internet...), que inacreditavelmente apela para “tradições” ortodoxas, para dar exemplo de autêntica “espiritualidade”.

Enquanto isso, em nosso próprio meio ocidental, um outro Vladimir, tupiniquim, valendo-se de cultura filosófica, Sr. Vladimir Safatle, demonstra ignorância, senão conveniência, para com o clima de hostilidade crescente no mundo, ao criticar duramente nossa cultura e espiritualidade, baseada nos valores cristãos. Enaltece a cultura e costumes do século V a.C. com relação a política e ao trato com os estrangeiros e falta com a verdade ao enaltecer a cordialidade dos gregos pré-socráticos com aos não nativos. O verdadeiro mérito foi posterior, a partir de Sócrates (século IV): ao fundamentar-se a moral pessoal, do ser agente, de um agir responsável, como melhor atitude para com o estrangeiro e claro, com o nosso próximo. O que levou aos excessos do controle estatal foi justamente a transferência dos autocontroles, pessoais, em nível de consciência, magistralmente evoluídos na tradição cristã, para controles externos, regulamentares e policialescos. O atual “sentimento de mal estar e sofrimento indefinido, denunciado por Freud”, provém do individualismo exacerbado do homem moderno que se fecha como sujeito auto-suficiente e interesseiro e, nessa condição pouco viável diante da complexidade das relações humanas, passa a enxergar no outro uma ameaça ao seu status quo. Como lacaniano, o professor de filosofia da USP deve conhecer muito bem as bases teóricas de Lacan que, como seguidor de Freud mais freudiano que o próprio pai da filosofia clínica, ao contrário de outras correntes mais flexíveis, queria explicar o comportamento humano como o de indivíduos hermeticamente fechados em seus próprios interesses pessoais, egocêntricos, travando diálogos de surdos com todos os demais, dados por externos e dicotômicos.

A fundamentação de tal diálogo não é de complementação e subsidiaridade, mas de rupturas entre o sujeito e o seu meio circundante, mormente hostil. Baseia-se, por exemplo, na teoria da linguagem de Suassure em que o uso de símbolos não visam remeter a uma realidade que possa superar a do sujeito pensante, realidade que procura representar, e sim de um significado que apenas se torna meio de entender o próprio significante, o sujeito que pensa e apenas por isso mesmo existe e compreende o mundo como uma espécie de extensão mecânica de si mesmo, como o observador das bactérias por traz de um microscópio curiosamente medindo a res extensa (sempre um metron quantitativo). Ou no estruturalismo de Strauss, em que a estrutura do real fica ossificada em colunas de regras consolidadas pela história em resposta inevitável às leis implacáveis da natureza animal e cosmológica... Nessa perspectiva o homem somente pode enxergar a cultura como uma construção hostil, modelada pelos cosmos ou por superestruturas do inconsciente que por sua vez modelam as pobres e indefesas consciências, tanto faz se do ocidente ou oriente.
Como um homem tão volúvel a forças não conscientes e determinísticas poderia construir as civilizações? Tal perfil nos parece ser mais uma herança do pessimismo de Schopenhauer do que uma leitura científica da realidade sócio-política em visão filosófica. A visão filosófica, anterior a científica, deve buscar uma explicação racional e coerente, universal, a partir das miríades de dados que vão chegando aos sentidos, convalidados pelo tribunal da experiência, não o contrário. Os dados das experiências clínicas dessa fase positivista da psicologia de Freud, Jung e Lacan são importantes e valiosos para se ter uma idéia da dimensão e complexidade dos inúmeros parâmetros de avaliação da psique humana, extraídos de fragmentos seletivos e muito localizados do comportamento humano. Mas na hora desses psiquiatras fazerem diagnósticos mais gerais e universais, ao tentarem fazê-lo por teorias reducionistas foram, bem dizer, desastrosos: quando não reduziam a vontade humana a desejos fálicos e destrutivos, transformam a cultura humana num emaranhado de desejos frustrados e delirantes, todos subjugados pelo “inconsciente”... mas, e se o mundo não é tão ruim assim?

A cultura é resultado de uma imensa teia de relações costuradas simbolicamente por cada individuo em ações conscientes, desde as primeiras e mais decisivas relações, que são as relações de integração e unidade, como do amor de mãe para filho...Se em tais relações prevalecesse a disputa e a frustração não teríamos sequer uma infância para lembrar. O poder pátrio tinha me jogado pela janela na primeira briga familiar. A construção da cultura, inclusive a religiosa, das mais importantes por fornecer os significados últimos, é resultante de uma prodigiosa rede de relações conhecidas e muitas também desconhecidas, porém altamente efetivas, que mudaram o mundo, como o contato de Moises com a “sacha ardente” no monte Sinai, culminando com a travessia do mar Vermelho. Diálogo é um exercício dialético, de tensão entre pólos opostos, onde o ser vai se manifestando em contraposição ao não ser. O significado, de dimensões infinitas, sempre terá mais o que “dizer” ao significante, o ente limitado. Os conteúdos de maior significado, herdados por inúmeras gerações, são os que carregam mais potência de ser. Então os significados vão ganhando força expressiva e transpondo mares de dor e violência, com a evolução da linguagem corporal e verbal, começando pelo afeto familiar, o cultivo das amizades, as orações e oblações, e evoluindo na construção de bagagem prática e teórica adquirida paulatinamente com as Revelações, mais ou menos compreensíveis, o magistério, a tradição, os mitos, liturgias, os discursos, a representação teatral, a literatura e tudo o mais.
Com o advento do Iluminismo, o cristianismo perdeu muito de sua proposta original, de tomada de consciência do homem como ser para si mesmo, para o outro e para o infinito. Criaram-se os instrumentais de controle, e a esdrúxula disciplina da “engenharia social”, que acabaram por piorar as coisas. Agora filósofos do social como o Sr. Safatle (e muito outros do núcleo uspiano), cansados de buscar soluções sociologizantes, inúteis e perigosas, para as difíceis relações humanas de hoje, limitam-se a aprofundar leituras criticas, perfis de relações focadas nas crises e vão buscar elementos saudosistas em atitudes pouco mais que meramente convencionais dos gregos antigos para com estrangeiros. Na prática, um dos melhores exemplos de trato com o estrangeiro veio da cultura hebraica, principalmente depois da difícil mas proveitosa experiência do exílio. Após o retorno a Israel, Isaias convida seu povo a receber o estrangeiro. “E aos estrangeiros, que se unirem ao Senhor, para o servirem, e para amarem o nome do Senhor, sendo deste modo servos seus, todos os que guardarem o sábado, não o profanando, e os que abraçarem o meu pacto, sim, a esses os levarei ao meu santo monte, e os alegrarei na minha casa de oração.” (Is 56, 6-7). A Igreja cristã tem por modelo algo ainda maior, o de apostolado, ordenado por Cristo: enviai-os por toda parte, dois a dois, e pregai o evangelho. É o cristão se fazendo estrangeiro, vivendo com estrangeiros e comungando com eles, na medida em que eles O recebem. E ainda antes disso, a condição prévia elementar na cultura cristã é o da práxis familiar, dado pelo belo exemplo da família de Nazaré, lá onde a psique do filho e de seus irmãos, o seu mais próximo, são trabalhadas conscientemente, agregando valores sem limites “sociais”, apesar de toda violência imposta por gregos e romanos. Assim como as famílias cristãs asiáticas de hoje o são por parte de orientais comunistas, islamitas e hindus. Com a cumplicidade de intelectuais obtusos.
Após a fase dissecação da alma pelos positivistas, há hoje uma corrente da ciência psicológica muito mais coerente e integrativa com a condição do ser humano, como a da logoterapia de Victor Frankl, que busca trazer sentido a existência, apesar de toda a violência cultural e política, prática ou teórica, de russos ou brasileiros (os dois países mais violentos do mundo). Disciplinas novas como ontologia, gestalt, autopoise, presença (presencing), valor compartilhado (shared value), algumas das quais enriquecidas por culturas orientais, podem ajudar a trazer de volta o sentido de unidade perdido com a fragmentação das disciplinas e a falsa universalidade marxista, desde que não se percam em especificidades e ideologias fúteis e mantenham a necessária busca da unidade entre conhecimento e consciência – uma boa definição mesma de Filosofia.
Oriente e ocidente devem se unir mantendo suas forças culturais. Seriam estrangeiros entre si se fazendo companheiros de uma mesma nave, unidas pelo seu Mentor, no embate pelos mares turvos do devir.

Murilo Carlo Muniz Veras
Dezembro de 2011.

Links:




Para saber mais dos últimos estudos sobre...:

.ontologia: tem um pequeno livro de Susana de Castro (ed. Zahar) que dá uma interessante retrospecto do tema. Para não se perder nas hetorodoxias da moda, como do processualismo de Whitehead (penúltima corrente apresentada), teria que ser complementado pela leitura de clássicos sobre a essência do ser como em Aristóteles, Tomas de Aquino, etc.
.gestalt: textos de Frankl, Moreno e Piaget. Entretanto este último deve ser visto com precaução

.autopoiese: artigos sobre sistemas biológicos e formação de consciência baseados em Maturama e Varela. Ressaltamos o aspecto autônomo dos entes biológicos que estes estudos trouxeram a tona.

.presença (presencing): trata-se de termo muito comum, mas de pouca atenção até recentemente. Um novo conceito vem ganhando espaço nas organizações americanas: presencing. Existe ate um Instituto com esse nome. Importa ressaltar, num contexto de tomada de consciência cristã, que toda referencia a esta atitude de consciência de algo muito superior a nós mesmos seria muito bem vinda num mundo marcado pela imposição artificial de cultura conflituosa. O termo foi desenvolvido inicialmente por Otto Scharmer com sua teoria U. Em resumo mostra a importância das diversas camadas de significados, no virtual (= potencial de ser), antes e depois da tomada de consciência ou presença no meio social, espiritual, etc. em que vivemos no devir (= atos de ser).

.valor compartilhado (shared value): outro conceito em voga nas organizações, depois do lançamento de A Quinta Disciplina, de Peter Senge. Segundo o Harvard Bussiness Review, o paradigma da criação de valor agregado – CSV, num mundo pluralista e globalizado, é um importante instrumento de medição dos valores que efetivamente importam em momentos de crise. Conforme últimas edições do livro (ed. Record?) a teoria U deve ser um passo seguinte na melhor compreensão desse processo (apêndice 3).

. valores orientais: Especialmente validos para alertar as falácias do positivismo mecanicista. Destacamos, em nosso contexto, Rene Guenon, autor de A Crise do Mundo Moderno, especialmente em seu diagnóstico sobre a mentalidade enraigada no ocidente (na verdade, mais precisamente, deve-se dizer, dos positivistas e cientificistas) de se medir o mundo por parâmetros quantitativos (metron na res extensa de Descartes).


















Nenhum comentário: