Longe demais para desistir de quem
somos
Um visão
poética e simbólica da música
Get Lucky, do
grupo de rock Daft Punk.
Imagine a origem de cada ciclo de conquistas que o homem
alcançou, de como a inventividade, a
criatividade e a tenacidade de homens e mulheres de todos os tempos foram
capazes de erguer línguas, culturas, monumentos – dos belos obeliscos às
catedrais, expressões literárias e simbólicas magníficas, tudo ao seu tempo.
São grandiosas obras e legados transmitidos
ardorosamente para os ciclos seguintes até chegarem aos nossos dias.
Imaginemos ainda que cada um desses ciclos de certa forma
cumpre um grandioso ciclo orquestrado desde as raízes do Universo e do Planeta,
para toda a Humanidade, a partir de sua raiz mais primitiva,
Like the legend of the Phoenix.
Desde então nosso adorável planeta, tão carinhosa e
meticulosamente engendrado para a vida em abundância – das distâncias
milimetricamente satisfatórias às frequências precisas do espectro magnético
entre a Terra e o Sol, pelo Deus criador; continua girando sob o fluxo da
energia do astro rei, que todo dia nos faz lembrar
The force of beginning
What keeps the
planet spinning
Então constatamos que chegamos muito longe. Tão longe. Longe
demais,
To give up who we are.
Seria possível
desistir (give up) de nossa caminhada depois de tanto? Ou será, na verdade, questão
de voltarmos a descobrir quem realmente somos, a busca do nosso quid est, o que é das coisas, do clássico
discurso filosófico?
Com essas três singelas evocações o grupo francês Daft Punk
concebeu uma das musicas mais badaladas dos últimos tempos. O ritmo frenético esconde
um pouco o seu tom poético, mas não é difícil de ser percebido, mesmo para os
eternos estudantes intermediários de inglês como eu mesmo. Muito mais que entes
vagantes, nós somos, carregamos a
imagem daquele que é, porque Ele é aquele que é, desde sempre. A poesia
embutida numa balada de rock, querendo ou não, lança a questão do ser no tempo, e repete, à exaustão, sem cansar,
a mensagem de nossa sorte extraordinária:
I'm up all night to get lucky
Pensando bem é verdade. Se os dias que Deus nos dá são belos,
ainda que com todos os ardis e lutas, ao chegar à noite, temos tudo para dar as
graças a esse demiurgo da águia criadora, fonte das fontes incansáveis a renascer
das cinzas, do barro ou do sêmen original.
Valido, sobretudo, pela gratuidade e liberalidade do intelecto rei que governa nossas ações e vontades.
Valido, sobretudo, pela gratuidade e liberalidade do intelecto rei que governa nossas ações e vontades.
I'm up all night to get lucky
Somos o que somos. E podemos ainda ser muito mais do que temos
sido, ou reconhecido em nossos antepassados. Desde um pai Abraão até um Padre
Pietralcina, um Chesterton ou um Mário Ferreira dos Santos.
Celebremos sim nossa sorte.
Amém.
Murilo Carlos
Veras
Brasilia, 04
de março de 2014.