terça-feira, 31 de dezembro de 2013


                      NOVO ANO: NOVA VIDA, NOVOS SONHOS


                      Fim de ano, início de novo ano. Tudo parece cair em  profundo silêncio. Silêncio das Montanhas? Ou Silêncio do Mundo? Até os pássaros silenciam nesse limiar das horas, enquanto as nuvens deslizam no céu, ainda tingido de chumbo dos últimos passos que o Velho Tempo despende antes de desaparecer no vácuo da Eternidade. Enquanto isso outro tempo, o Novo Tempo, redivivo ante a contingência cósmica, adentra com seus passos lépidos de infante recém-nascido.
                      
                            É a vida que se renova, o Tempo, o Mundo.
                          Não é só o ano que se finda, enquanto outro, um novo, o substitui. São nossos sonhos que também se esgotam, nossas vidas que, por um lapso, como que perdem o fôlego, para, em seguida, retomá-lo, quando nos sentimos fraqueja nos grandes e pequenos embates de nossas vidas.

                    Não é ano que se findou, são nossos sonhos que se perderam nas vereda de nossas vidas, às vezes tão asfixiadas e inertes, devido certamente à própria inércia, também, de nossa alma.
Então vem o Ano Novo para refazer esses nossos sonhos, validá-los, como sopros de energia.

                       Não é só tempo que passou, o ano findante, quer dizer que escalamos mais uma etapa, e que também avançamos mais um degrau, amamos, sonhamos e sofremos.

                       Que sejam estes novos tempos, na perspectiva de tudo o que haverá de vir. Olhemos o mundo como ele está, mas que nosso olhar não se contamine das ilusões e das tristezas que a realidade, alhures, nos quer impingir, com seus truques, inverdades e malefícios.

                      Rejubilemos por termos vencido mais esta barreira do tempo pelas mãos deste ano que se vai, mas também nos preparemos para enfrentar o Ano Novo que nos aguarda com suas surpresas, seus mistérios, com todas as esperanças que ele traz consigo no seu olhar recém-vindo de criança travessa.

                      Novos tempos, nova vida, novos sonhos. E essa expectativa que todos nós sentimos, hoje, para o que nos virá amanhã: um novo sonho a se concretizar.

                      Ano Velho, Adeus!
                      Novo Ano, sede bemvindo!   
      
                                                                                                     Bsb, 31.12.13

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013



UMA ESPECULAÇÃO SOBRE O AMOR CRÍSTICO

                                                             Murilo Moreira Veras


O que é liberdade? É estar livre dos embaraços que a existência nos traz.  Mas o que isso implica na filosofia  bergonsoniana? Begson é um pensador que pesquisou sobre a linha do tempo, sua duração e como tal afeta o ser na sua mobilidade existencial.
O que significa o amor cristão? Diria que é o sentido de agir fraterno. Este, sim, o traço mais característico do cristianismo. Talvez esta seja a vocação do verdadeiro cristão: elevar o ser humano a uma categoria que ultrapasse sua própria humanidade, para que ele possa transmitir ao ser-objeto que será amanhã, isto é, no horizonte do devir. Assim, o ser humano terá sua vida projetada para depois pelo que o ser do ente passa a ser objeto do próprio ente na sua transitoriedade ontológica.
Essa transição fará do homo sapiens o homo objectus ou o homo res, ou seja, o ser do homem colocado na condição de ser objetivado e não pensado.
Ora, nesse estado de coisa como posicionar o chamado amor cristão, ou crístico, no sentido ontológico, quando o fenômeno da capacidade propriamente crística de compartilhamento fraterno está depositada no objeto da relação ser-estar-no-mundo, o sujeito desvinculado de sua passividade por ser possuído?
A relação ser-no-mundo heideggeriano terá de sofrer mudança na categoria de Desein. O mundo terá de se adaptar à sua nova forma que seria através da hominização do objeto do ente, feito ser na categoria ontológica, não propriamente do ser, mas do objeto ontologizado, ou seja, o objeto pensado.
O amor crístico do objeto pensado é a objetivação do pensar desprovido de sua imanência de humanidade. É a transcendência do pensamento-objeto, o pensamento maquínico, porque a potência do ser passou para o ser da potência, ou o humanismo coisificado. É como transcender na imanência do ser objetivado ou objetivante.
Transformado o Desein no ser imanentizado pela objetivação do humano para o pós-humano, a cristianização se dará por desconstrução axiológica, quer dizer, o objeto seria ou se tornaria valorizado para obter sua condição de comunhão crística.
O homem ou a mulher, sem sua humanidade imanente, passaria a assumir sua objetividade transcendente e agiria como o novo homem embebido de transcendência objetivada, ou, em outras palavras, em termos de simbologia mais avançada, o ser humano já agora desumanizado adquire a feição de materialização cósmica que o interligaria à infinitude, onde há de haver nova forma de Desein, ou seja, de estar-no-mundo, embora faça com que sua humanidade se apegue demais ao mundo cuja imanência infantiliza suas potencialidades transcendentes.
Ora, se o cristianismo se fundamenta em  (des) essencializar o humano para transformá-lo numa nova categoria do ser pela qual o cristão propugna por ser um novo homem, essa transcendentalidade do objetivado pode constituir a resposta para o mundo e sua consequente renovação e assim o ser-para-a-morte heideggeriano pode desaparecer para dar lugar ao ser-para-a-vida, porque a morte passa a ser a transitividade da espiritualização da matéria pela vacância do eu decorrente de sua objetivação que é a matéria transcendentalizada, ou seja, o novo homem  desmaterializado da matéria. Não se trata aqui de nenhuma doutrina cabalística, mas de uma hermenêutica escatológica para o ser humano ao elevar-se de categoria mediante processo sistemático e quicás fatalístico de materialização espiritual. Isto porque o avanço dos instrumentos tecnológicos será cada vez tão grandioso que a mecanização do mundo se tornará inevitável. A máquina pensante será aos poucos incorporada ao ser humano e o pensar humano será um pensar maquínico com desdobramento e vocação cósmicos, ou seja, capaz de se interligar aos padrões estelares e galácticos.
É, pois, nesse estágio que o sêmen do cristianismo há de assumir seu papel e impor sua razão fundamental não apenas como “a luz do mundo”, ou o “o sal na terra”, mas como “a luz, o lume do universo” – o sal que irá se espalhar por todos os redutos conhecidos e desconhecidos, o sêmen crístico que existe e sempre existiu no Uni-Verso  do qual nosso homo terrenus tanto precisa, pois sua visão apenas telúrica tem materializado o  seu humanismo,  tornando-se cego, em face de seu desbragamento orgíaco pelo materialismo sem transcendência.
Esse trânsito do sujeito para o objeto pela desumanização transcendente corresponde à grande solução para nossa civilização essencialmente materializada por excesso de afirmação subjetiva, dado que o ser extravasou suas potências e precisa sublimar-se pela elevação através da desmaterialização do eu-ser-no-mundo em direção da transcendentalidade  do mundo no eu-ser, ou na fórmula mesmo que insólita – o homem pensando como máquina e a máquina pensando como homem, numa simbiose metafórica em busca da perfeição crística absoluta, onde reside, enfim, a sabedoria cósmica do infinito.  




quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Mensagem do ano: reflexão para 2014



Caros,


Fazendo uma retrospectiva de minhas mensagens em 2013, elejo, como toda firmeza, esta, que agora refaço com a maior ênfase que o tema merece:

Segundo Olavo de Carvalho uma das características exclusivas da prova de existência de profecias são os milagres comprovados que acompanham esses eventos e a conexão coerente desses enunciados com os de outras profecias em todo o mundo, na medida em que vão se concretizando no futuro.

Nesse sentido diria que o evento-mãe foi o de Fátima, comprovada pela punjança dos milagres que a acompanharam, entre muitas outras, a do miraculoso aumento do sol (testemunhado por pelo menos 30.000 pessoas) e a seqüência de duas Guerras Mundiais.

Mas não podemos ignorar a conexão de suas profecias com outras muitas que se seguiram e que se confirmaram com o tempo. Inclusive - porque não?, no Brasil, como esta informada pelo Padre Paulo Ricardo, em: 
 
http://padrepauloricardo.org/episodios/o-alerta-de-maria-para-o-brasil?utm_source=Lista+-+padrepauloricardo.org&utm_campaign=dd904a3266-11nov2013newsletter&utm_medium=email&utm_term=0_a39ff6e1ce-dd904a3266-382810201

Principalmente quando se observa o pano de fundo comum dos perigos do ateísmo institucionalizado por traz do socialismo e sua propagação atual, as conexões são surpreendentemente coerentes:

Mesmo para os mais céticos não há como negar a conexão de Fátima com Lourdes e Medjugore, seus respectivos milagres, e a concretização da previsão de desfacelamento de algumas nações. Geralmente não se citam nomes – uma característica universal entre as profecias de todos os tempos, mas agora, a posteriori, como negar o que ocorre com países como Cuba, Coréia do Norte e mais recentemente - a bola da vez, a Venezuela, nosso vizinho, se arruinando moral e economicamente sob o estúpido comando do Sr. Nicolas Maduro? Ou na surpreendente reversão das duras conquistas de Álvaro Uribe contra o narcotráfico, com as concessões políticas inaceitáveis de Manuel Santos à FARC, na Colômbia?

Para os menos céticos, além dessas jovenzinhas do interior do Recife, cito como exemplo os alertas de videntes brasileiros como Marcos Tadeu, em Jacareí-SP, ou de Eurípedes, em São Sebastião do Alto-RJ.

Não menosprezemos suas mensagens, na medida em que são das mais coerentes com as grandes citadas!: possibilidades de destruição de nações inteiras, inclusive grandes nações, as falsas religiões, o permissivismo, a idolatria generalizada, etc., etc.; bem como as respostas da natureza, particularmente em lugares que se praticam cultos obscurantistas como no sudeste dos EUA e Haiti, e mesmo entre países católicos, como vemos agora no violentíssimo tufão assolando a Indonesia esta semana [esta mensagem foi originalmente encaminhada em 11 de novembro de 2013].

Como reforço adicional, por dever de consciência, posso e devo dar testemunho pessoal deste último vidente pela visão literal, tanto minha como a  de muitos presentes na ocasião, absolutamente miraculosa, do céu noturno e vespertino, por ocasião de peregrinação  de milhares de pessoas a São Sebastião do Alto. Num único dia, à noite, enquanto todos rezavam o rosário, de joelhos, sobre um terreno pedregoso, eu vi, estupefado, chuvas de mais de uma dezena de estrelas cadentes e espiral de fogos no céu. No dia seguinte, e em outros mais, mais serenamente, sempre à tardinha, um inacreditável sol pulsante. Isso foi a cerca de 15 anos atrás. Infelizmente perdi o contato com os peregrinos presentes e soube que o Eurípedes faleceu logo no início desse século. Mas o Marcos Tadeu parece dar continuidade nisso com suas mensagens e o enunciado de muitas outras, ocorridas mundo afora, alguns deles disponíveis na internet.

Disso tudo, o mais importante é o sentido de conversão pessoal de Nossa Senhora dirigido a todos. De minha parte foi a conversão que se seguiu - pois era agnóstico. Tal deve ser o direcionamento teleológico que, com a graça de Deus, deve continuar por toda minha existência.

Parabenizo mais essa excelente iniciativa do Padre Paulo Ricardo!

abçs,

Murilo Carlos Muniz Veras

 

domingo, 15 de dezembro de 2013

MEU NATAL DO FUTURO

                                    Murilo Moreira Veras

Meu Natal do Futuro há de ser diferente.
Não tem festa, não tem alarde,
não tem riqueza nem ostentação:
será como o sol que desperta a aurora,
do sono letárgico da Escura Noite.

Meu Natal do Futuro transcende
a mediocridade da vida,
transformando a afasia geral
em gesto de suprema unção
– a Natalidade criadora.

Meu Natal do Futuro constitui
a sublimação não só do tempo,
mas da Vida, porque é seu revigorante,
o espelho que transluz a grande polifonia
do existir,
porque o Natal há de ser, amanhã, mais do que hoje,
o fermento que instrumentalizará a melhoria do homem
– sal da Terra, mas também do Universo.

Meu Natal do Futuro é o amanhã do mundo,
que se abre em leque de inconsútil esperança
– a magnitude amorosa
do Menino-Eternidade,
Infinitude Cósmica
da imanência do transcendental
que sacramenta a transcendência imanente
no Verbo que se fez Carne,
e se fez Menino, o Infante que renovará
o Mundo.

O Natal do Futuro é isto:
o preconizar de um Novo Mundo,
um Novo Homem
– a reabilitação da Verdade,
a sarça ardente que queimará o coração
dos homens.


Meu Natal do Futuro é o prenúncio da Esperança
que há de iluminar os caminhos da Vida,
o futuro do Mundo, sob o terno e doce olhar
do Menino, que se fez Homem, que se fez Mártir
para redimir o mundo da perdição.
Quem viver, verá.
– Viveremos?

                                                       Bsb, 10.12.13