quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Meu Querido Audi

MEU QUERIDO AUDI O carro que compramos há poucos meses tem sua história. Não é de agora que tenho simpatia pelo Audi, um sonho quase impossível, pois dessa marca alemã só se via por aqui carro grande e de grande luxo, o preço lá nas alturas. Além disso, o perigo do carro importado, o ladrão achar que se trata de gente rica e tentar sequestrar o dono, daí nem nos arriscarmos a ter carro importado. Em toda garagem de prédio, aqui e ali, ocorrem imbróglios entre os moradores. No nosso caso, coisa pequena, se comparada a outras por aí, mas que nos causava certo desconforto, já que não somos mais crianças. Nosso antigo carro, de porte médio, era espremido pelo do vizinho da vaga ao lado, com seu veículo maior atravessando na vaga, e não satisfeito ainda trocou-o por um desses tanques nacionais, que só tem tamanho e nada mais. O outro vizinho da frente, coincidentemente, ou não, adquire o seu de igual porte, inclusive, com cara de dinossauro, feio que só ele, e sabe como são os carros nacionais quanto à tecnologia, chamados até de carroças por um presidente, que acabou cassado, não por essa declaração, mas por seu personalismo, seu prazer de roubar, iludindo a população que elegia um “caçador de marajás”. Os servidores públicos tidos como os grandes vilões da história. Coitados do povo do nosso país, que se ilude com personalidades nada confiáveis. Parecia uma provocação, mesmo humilhação, os dois mastodontes frente ao nosso carrinho. Acontece que precisávamos trocar de carro, já com cinco anos. Eis que em visita ao Parkshopping, nos deparamos com o Audi A1, lançamento, com preço acessível ao bolço da classe média. Acredito que com a crise na Europa vieram para cá em busca dos consumidores brasileiros, nossa economia entrando nessa fase boa em que se vive no país, inclusive, com uma boa indústria automobilística, que saíra da fase de produzir carroças... Ainda não somos primeiro mundo, mas vamos chegar lá. Aliás, pessoalmente não tenh do que me queixar dos carros que possuí. Compramos nosso Audi A1, modelo esportivo de duas portas, coisa de primeiro mundo. Chegamos com nosso pequeno, mas fabuloso carro importado, e parecia que conduzíamos David com sua funda, pronto para enfrentar, não um, mas dois Golias. Lógico que a garagem não era arena romana, mas lugar de vaidades, os carros como deuses para certas pessoas. Era a nossa desforra. Ainda quando possuíamos o Clio, uma colega minha aposentada passava conosco uns dias no Rio, e resolveu tripudiar, não se sabe por que cargas d´águas, falou ao marido em Brasília por telefone para que ele fosse nos buscar no aeroporto com o carro velho, em vez do novo. Constrangimento do qual nos safamos driblando o casal e pegando um taxi. Na cabeça dessa nova rica só merecíamos entrar num carro inferior, não estávamos acostumados com o que era bom... E dizer que a tal cortou cana no passado de pobreza. Nosso Audi veio suprir uma necessidade de conforto pessoal, além de podermos exibir o que há de melhor. Somos normais como todo mundo, só menos exibidos que muita gente.