O FUTURO DA ESCOLA
Hoje em dia tem se falado muito sobre a educação, de que vivemos um mundo cada vez desprovido de cultura e outros quejandos. Mas pouco ou quase nada se diz da escola, o que ela faz, quais os resultados obtidos. No nosso país, o que se vê é que os estudantes, quase de forma generalizada, do grau fundamental ao superior, se notabilizam pela carência de conhecimento. As estatísticas assinalam resultados espantosos para o quantum de conhecimento do estudante brasileiro, fraquíssimos em matemática, quase iletrados em português, razoáveis conhecedores da ciência. Os defeitos são inúmeros. Qual a razão disso? - perguntar-se-á.
A resposta está certamente na escola, no ensino, na maneira de produzir conhecimento, nas avaliações ali empreendidas. Enfim, no sistema em que a escola, no Brasil, está estruturada. Fala-se muito e meios oficiais parecem apregoar esse fato à solta, de que o sistema usado tem por modelo a teoria dos oprimidos de Paulo Freire, ou seja, de que a aprendizagem é voltada para a libertação das pessoas, para que saiam da situação de opressão social, sejam livres, adquiram saber para serem independentes, autônomas, não se subjuguem a ninguém - isto é, aí vem a malandragem, o detalhe capcioso da questão. É evidente que são sadios as aspirações delineadas quanto às pessoas, pelo estudo e conhecimento adquiridos, alcançarem a liberdade, serem independentes, capazes de melhor enfrentarem os inúmeros desafios da vida. Mas o que não é absolutamente sadio, o que é inaceitável é que esse cabedal de estudos e conhecimentos, que a escola representa, seja voltado para o controle de massa. No final, o indivíduo liberta-se pelo estudo para servir ao estado, aos objetivos burocráticos do governo vigente.
A nosso ver - e acredito de quem tenha um pouco de raciocínio também - trata-se de um sistema malévolo e de caráter fascista, fascismo velado, fascismo cultural, educacional, político, ideológico, filosófico.
Achar que uma criança vai para a escola para aprender e depois ser futura escrava do poder estatal, é um absurdo, um disparate, um verdadeiro atentado à dignidade humana. A criança deve ir à escola para aprender, adquirir conhecimentos, preparar-se para a vida, para o exercício de uma profissão, mas também para se aculturar, ou seja, propugnar por enriquecer sua condição humana em todos os sentidos, ampliar sistematicamente sua visão de mundo - tudo isto absolutamente não se coaduna com ser o indivíduo serviçal do estado, sujeitar-se à opressão das regras e mandamentos do oficialato dominante no momento.
Educar, sim, mas para conduzir o educando à liberdade, não à armadilha de uma falsa independência que, esta, sim, o levará a se tornar cativo da opressão oficializada.
O que se espera é que a escola realmente se reestruture, mas praza aos céus que se desvencilhe, no futuro, dessas aspirações ilusórias, que ressuscitam doutrinas ultrapassadas, sepultas já no turbilhão do tempo.
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